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quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Livre (Wild)

" Eu posso desistir a qualquer momento"

Por: Gustavo Talaini
Reese Witherspoon é Cheryl Strayed
  Sempre temos momentos que queremos esquecer todos os problemas, descobrir o eu interior,e refletir sobre as coisas ruins que a vida nos trás, mas o que podemos fazer para resolver isso? Existe uma maneira de fazer isso, simplesmente pegue uma mochila (uma mega mochila) e saia andando pela PCT (Pacific Crest Trail), é exatamente isso que Cheryl Strayed faz.
  
   Cheryl Strayed não é uma simples personagem criada para um filme, ela realmente existe e tem uma fantástica e inspiradora história de vida que é incrivelmente bem representada no filme de Jean-Marc Vallée (diretor de Clube De Compras Dallas que foi vencedor de três oscars).
  
  Já conseguimos chamar Jean-Marc Vallée de um digno diretor, agora em assunção, que sabe muito, MUITO bem dirigir “seus” atores e que conta com um ótimo roteiro e uma grande equipe de edição (o filme tem uma interessante edição que faz uma viagem entre o passado e presente de uma maneira espetacular).

  Reese Witherspoon vive, literalmente vive Cheryl Strayed com a sua intensa atuação cheia de pensamentos e expressões o que já a coloca na corrida dos oscars; Cheryl sempre teve dificuldades na vida, na infância sofria ao ver seu pai bater na sua mãe Bobbi interpretada por Laura Dern (também com uma bela performance), na adolescência estudou na mesma faculdade que sua mãe o que honestamente não é o mais agradável, porém Cheryl gostava, pois afinal Bobbi é um exemplo,  sempre estava cantando mesmo com problemas financeiros sobre a mesa, ela anda a cavalo (o que é incrível) e ainda tem forças para suportar seus outros problemas que são os de saúde e que na verdade no final são mais fortes do que Bobbi... Assim após sua morte Cheryl perde a cabeça e começa a apelar para o irracional, ela usa heroína e transa com qualquer homem que vê pela frente, mas um detalhe Cheryl é casada a sete anos ou pelo menos era, por que o divorcio surgiu como a melhor opção; portanto o que uma mulher viciada em drogas com problemas sexuais/financeiros e ainda por cima divorciada faz?

  Volte ao começo do texto, ser livre e selvagem é a melhor opção, Cheryl escolhe sair andando pelo PCT ( lembrando: isso é uma historia real)
  
  Um combate entre a superação vs desejos e a luta contra o passado a partir da reflexão da individualidade e do silêncio são os desafios de Cheryl em sua insana caminhada de 2000 km, mas isso é construído no filme de forma brilhante, cativante e emocionante em meio de belas paisagens e uma forte trilha sonora que nos trás a memória de Bobbi, a falecida mãe, deste modo concebendo um grandioso, inspirador e formidável filme que fará você rir em certos momentos realmente hilários e divertidos (as vezes apelativo),e que ira martelar na sua cabeça por um bom tempo e certamente te incentivará a  sair andando loucamente em busca de uma trilha.      

90
 


domingo, 19 de outubro de 2014

Pássaro Branco Na Nevasca

O exagero dos anos 80

Por: Gustavo Talaini
Eva Green é Eve Connor 
  
  Gregg  Araki é um bom diretor e faz com que um típico romance ganhe algo a mais, o desejo por sexo está em abundância, a trilha sonora é matadora e o clima de suspeitas ou até mesmo sobrenaturais predominam em seu mais novo filme o Pássaro Branco Na Nevasca.
  
  Nos anos 80 tudo é brega e colrido e Eve Connor (Eva Green) é a mãe que limpa a casa sempre com um sorriso no rosto como se não tivesse preocupações (típicos de filmes do Tim Burton) quando na verdade é uma problemática que sonha ter o passado em suas mãos, quer a juventude e o prazer de volta, tudo que sua filha Kat Connor (Shailene Woodley) tem; uma adolescente pilhada, com um visual  que causa inveja e ainda por cima está na transição de menina para um sex mulher com grandes desejos sexuais, entretanto sua mãe infeliz desaparece misteriosamente e Kat parece nem se importar no começo (é obrigada a fazer consultas com uma psicóloga), mas como passar do tempo começa a se preocupar, sofrer e até mesmo procurar sua mãe.
  
  Com uma narrativa de flashbacks bem construídas, o roteiro é satisfatório até os minutos finais que são bizarros e inesperados, mas nada que faça o filme perder seu tom, pois é complementado por um forte elenco recheado de boas performances (Eva Green está deslumbrante), porém com personagens em parte desconexos e fora da atmosfera.
  
  O filme de Araki conta com certas contradições e exageros, mas também irá perder sua atenção (por mais que isso demore), te deixará confuso em alguns momentos propositalmente e fará você rir com cenas tipicas de adolescentes (a atriz Gabourey Sidibe se destaca nesse aspecto);Araki fez um gratificante trabalho.

70

  

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Annabelle

Terrivelmente assustador?

  O já famoso toque de James Wan é o ponto alto de Annabelle (ele poderia estar dirigindo o filme em vez de produzindo, mas...) com cenas similares, mas não melhores do que Invocação do mal (a continuação de Annabelle) o filme irá te deixar tenso, porém te decepcionará com previsíveis sustos e um medíocre roteiro.


  Annabelle Wallis (talvez essa coincidência de nomes seja o que mais assuste aqui) faz um bom trabalho como Mia a inevitavelmente sofrida e protetora mãe juntamente com a sua assustadora boneca (Annabelle) que quando está em cena (o que é raro, pois o filme nem parece dela, mas sim do demônio que a domina) causa certos pulos e gritos na cadeira do cinema.

  Sim, aqui temos os famosos clichês de filmes de terror (a boneca possuída, a família assombrada e um bebê), não que isso seja ruim, pelo contrário, neste caso isto foi inteligentemente utilizado e ainda complementado por uma nervosa câmera e trilha sonora formando um solido filme de terror.


50

sábado, 4 de outubro de 2014

Garota Exemplar

"Hitchcock aplaudiria este filme sombrio"

Por: Gustavo Talaini
  A busca pela vida, homem e casamento perfeitos são ambições de Amy Dunne, a “Incrível Amy”, a garota exemplar (Rosamund Pike).
  Mas...
  Ela desapareceu, e o principal suspeito é o seu marido Nick Dunne (Ben Affleck).

  Falam que o livro é sempre melhor do que o filme, se isso for verdade Gone Girl de Gillian Flynn será imensamente prazeroso de se ler, sim eu ainda não li, mas já vou comprar, pois sua adaptação é majestosa.

  Você irá se perguntar se a sua namorada é uma sociopata, se alguém está armando algo e mentindo nas suas costas entre outras tantas perguntas; David Fincher mostra novamente sua incrível e precisa direção, o tom de suspense do começo ao fim, as reviravoltas e a insanidade roubam a cena juntamente com atuações que fazem o cinema enlouquecer.


  O grande número de voice-overs, a perfeita trilha sonora (é simplesmente sensacional tem momentos que os sons lembram um menu de vídeo game que está pronto para iniciar quando na verdade os protagonistas estão jogando um jogo da vida, literalmente isso, a vida real), bons personagens secundários (Carrie Coon está fenomenal como Margo Dunne) e uma esperta edição criam tenso e delicioso thriller composto por um clima de verdades e mentiras, conflitos, manipulações e competições entre os personagens.

  Até mesmo um filme perturbador e sombrio tem seus momentos engraçados, neste caso o falso amor e até mesmo as cenas sádicas são muito divertidas e irônicas.

  Ben Affleck marca seu ponto com sua ótima atuação, mas quem realmente se destaca é Rosamund Pike com sua brilhante, insana e assustadora performance que certamente chamará a atenção dos Oscars, não somente ela mas o filme já garantiu muitas indicações.

  Vejam o mais rápido que puderem vocês não tem como se arrepender somente elogiar e, por favor, não tentem ser uma “garota exemplar”.


100